O LADO MÃE DAS GORDAS

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GABI LESSA

 

A gente sempre fala que um dos nossos diferenciais é sermos todas mães. Não somos só gordas. Não somos só fora do padrão de estética. Somos mães fora do padrão. E isso é muito relevante no nosso perfil.

Para quem não é mãe, pode soar como um exagero nosso. Que diferença faz? Gorda é gorda. Não estamos falando de não achar roupas no shopping e de não nos sentirmos representadas? Isso vale para todas. Que diferença faz se você tem filhos ou não?

Essa diferença a gente viu no nosso coquetel de lançamento. Quando começamos a falar sobre a recuperação da autoestima depois da maternidade, da culpa de pensar em si mesma, vimos várias cabeças balançando em concordância, vários olhos brilhando. A diferença é que tudo nos é cobrado a mais. A sociedade espera um altruísmo imenso da mãe, este ser perfeito que só pensa nos filhos e nunca em si mesma. Mãe põe os filhos acima de tudo, não é isso que dizem? E isso pesa. Pesa na autoestima, na identidade, no tempo. Podemos dizer com a maior certeza: é uma luta a mais. Se encontrar no meio desse turbilhão, aceitar cuidar de si mesma um pouquinho, não bancar a super-heroína, tudo isso é uma luta. Uma batalha que travamos dentro de nós.

 

Foto: Ludmila Costa

“Ah, e aí você vai lá e vira blogueira. Para com esse papo! Vocês querem é aparecer e ficam bancando de mãezonas. Só pensam em looks. Aposto que nem cuidam dos filhos. Bando de dondoca fútil.”

Sim, nós já escutamos isso. O que só prova o que eu disse: para a sociedade, mãe tem que ser altruísta. Qualquer coisa que foge disso é julgado. Como reencontrar a sua identidade com esse julgamento? Como recuperar a autoestima que parece que foi embora com a placenta?

O mais interessante é que foi justamente pensando nos filhos que chegamos ao momento de recuperar nossa autoestima. Nós não queríamos que nossos filhos crescessem vendo a mãe se odiar. Engraçado né? Até pra pensar em si mesma mãe pensa nos filhos.

Os casos aqui variam. Eu e Gabi Ayres temos um menino e uma menina cada. A Bárbara só tem meninos. Mas todas nós sentimos nossa identidade se esvair com a maternidade, e todas pensamos nos filhos para recuperá-la. E depois nós vamos contar um pouquinho aqui sobre nossas trajetórias de aceitação e nossas preocupações com as crias.

Mas hoje, o que eu quero dizer é que sim, tem diferença. E tem coisas em comum também, claro. Este blog não é exclusivo para mães. Ele também é para a gorda sem filhos. É para a baixinha traumatizada com seu tamanho. É para as mulheres de 30, 40, 50, 60 (e até pros homens, por que não?) E também é para as mães com todos os tipos de corpo. E isso é importante para nós. Porque a gente sabe que às vezes a mãe até veste 38, mas não consegue pensar em si mesma. Conhecemos várias mães que estão no tamanho padrão, mas continuam sem ter energia (ou coragem) para pensarem em si mesmas, se arrumarem, separarem um momento do dia para a mulher que foi soterrada com a chegada dos filhos.

Acreditem, gente: a parte de ser mãe faz diferença sim. E a gente entende. Na verdade, a gente ainda está no processo. A culpa materna continua aqui firme e forte. Mas a gente quer inspirar, mesmo se a gente se acha louca de vez em quando. E a gente quer seguir junto com outras mulheres que estão no olho do furacão.

Então, se você viu as magrinhas no coquetel concordando quando a gente falava da busca pela autoestima, não é frescura não. Esse texto todo é só para dizer: nós não vamos julgar. Da nossa boca vocês não vão ouvir o “Ai, ela veste 40, está reclamando do que?” Já tem gente demais no mundo pra julgar as mães, as gordas, as baixas, as velhas, as básicas, as chiques…as mulheres. Aqui não.

Gabi Lessa

Gabi Lessa

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O Gorda é a mãe é um blog sobre autoestima, positividade corporal, feminismo, maternidade e mais um bocado de coisa interessante. Vem com a gente!

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