GORDA NA PRAIA

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GABI LESSA

 

Eu nunca fui fã de praia. Prefiro mil vezes piscina. Amo o mar, mas acho o sal tão desnecessário. E como sempre fomos pra Cabo Frio, ainda costuma ser mar bravo e gelado. Preguiça. E odeio areia! Odeio calor. Odeio os litros de filtro solar que minha pele pálida demanda. Eu passo mal de calor, me queimo fácil, aquele inferno. Quando as pessoas falam em passar lua de mel na praia eu até arrepio. Gosto de frio, vinho, lareira. Quer coisa menos romântica que insolação, corpo melado de filtro solar e areia em partes não mencionáveis da anatomia? Credo!

 

E aí? Fui convincente? Pode falar, você acreditou total que é simplesmente uma coisa que eu não gosto né?

Bom, é tudo verdade sim. Realmente eu sou calorenta e prefiro o frio, realmente eu não gosto de areia nem de sal. Realmente eu sou mais um friozinho de montanha e não acho praia nada romântico. Mas eu curto praia. Eu gosto do clima, da farra, do côco gelado, da cervejinha. E amo o mar. Acho a piscina mais prática. Mas como boa pisciana que sou (essas doideiras astrológicas da Bárbara pegam), eu tenho sim uma atração pelo mar. Fico um bom tempo lá pensando na vida. O meu problema sempre foi chegar e sair dele.

Veja se você se identifica. Eu ia lá e comprava saída de praia. Nada que fosse justo, nem transparente, nem que deixasse a barriga de fora. E assim eu ficava, embaixo da barraca, de saída. Ou de canga. Mas se fosse canga, eu amarrava daquele jeito frente única. Morria de calor com aquele troço quase me enforcando, mas nunca considerei amarrar na cintura uma opção, porque isso era pra quem tinha barriga chapada.

Aí eu decidia dar um mergulho. Tirava a saída rapidinho e andava até o mar sentindo que todos os olhos estavam em mim. Mergulhava, e no mar eu me sentia bem. Passava um tempão lá. Aí chegava a hora de sair. Eu já imaginava as videocassetadas da gorda derrubada pela onda, todos os olhares em mim de novo. Chegava rápido na barraca (mas sem correr, porque se correr as banhas balançam) e me enrolava na toalha. Aquele calor dos infernos, e eu enrolada na toalha o tempo todo. Quando secava, colocava a saída. E pronto. Ficava ali enrolada, escondida, debaixo da barraca.

Deu pra entender por que eu sempre odiei praia? Eu tinha que me esconder o tempo todo. Não era lugar pra mim. (E sim, até eu já cansei do tanto que eu já usei a frase “não era pra mim” em um mês de blog. Pra vocês verem o tanto que na minha cabeça nada era pra mim. Haja energia pra manter essas proibições todas na cabeça.)

Enfim. Odiava praia. No inverno a gente esconde as banhas! Tão mais fácil. E não era só na praia. Quantas vezes eu já fingi que esqueci de levar biquíni para um churrasco? Nem sei dizer. (Foram tantas que no último churrasco que fui eu de fato esqueci o biquíni, porque não era algo que eu era acostumada a levar. Mas dessa vez eu voltei pra buscar.)

Fui a um churrasco recentemente e esqueci o biquíni, de tão desacostumada que era a usar em público.
Mas corri na casa da minha mãe e peguei um biquíni antigo, porque eu não ia deixar de curtir uma piscina dessas!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foi assim até o ano passado. E agora? Agora aqui estou eu na praia. Vocês sabem que eu tive uma recaída ontem. Não vou falar que é tudo perfeito e eu me sinto a mulher mais linda da praia, gente. Não é assim que o processo de aceitação funciona. Eu ainda vejo os ambulantes passando vendendo saídas lindas, mas não tenho coragem de ir lá perguntar se tem o meu tamanho, porque eu sei que não vai ter e eu vou passar vergonha. Eu ainda olho pro corpo da mulher do lado e acho mais bonito que o meu. Confesso, porque é a verdade. Estou em um processo de recuperação da autoestima. Não é tão rápido assim. Mas eu me sinto muito melhor do que me sentia no verão passado.

Agora, eu saio do mar de biquíni e fico secando ao sol, de biquíni. Eu brinco com meus filhos na areia, pulo ondinhas, tudo de biquíni (hotpant, claro, porque com dois filhos de dois anos, a chance de mostrar o cofrinho e pagar peitinho com biquíni de lacinho e cortininha é enorme). Eu, pela primeira vez em toda a minha vida, tirei foto de biquíni. Acho que a última que existe é de quando eu tinha uns 9 anos.Nas fotos de todos os churrascos, todas as festas na beira de piscina, estão as minhas amigas de biquíni, ou com uma saída um pouco mais transparente, ou de canga e barriga de fora. E eu de camiseta, roupão…

Dessa vez eu não corro pra barraca pra me esconder. Eu nem passo tanto calor assim! Eu sento com a barriga dobrando mesmo, peço a água de côco, a cerveja, brinco com as crianças. Só não deito e tomo sol porque A) duas crianças de 2 anos e B) a pessoa é transparente de branca. Mas se tivesse tempo e pudesse torrar no sol sem ter insolação, estaria lá. Não seriam os pneuzinhos nem a celulite que me impediriam.

Eu quebrei uma barreira. Eu me senti bonita de biquíni. Pode parecer pouco, mas para mim é uma vitória enorme.

Ainda vamos falar aqui mais sobre as gordas no verão. Os shorts, os braços de fora. Tudo. Hoje foi o biquíni. E eu sinto que foi um grande passo.

Gabi Lessa

Gabi Lessa

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