GORDOFOBIA NA TV, A GENTE VÊ POR AQUI

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GABI LESSA

 

Há duas semanas eu postei sobre a falta de representatividade em Hollywood e como o Oscar tem se tornado inclusivo em vários aspectos, menos quando se trata de gordofobia. E agora vejo a notícia da gordofobia se perpetuando cada vez mais no nosso equivalente de Hollywood: as novelas da Globo.

Para quem ainda não está sabendo, a atriz Monique Alfradique está entrando para o elenco da novela das 7, Deus Salve o Rei. A diferença? Ela usará o “fat suit” para interpretar uma personagem gorda.

O fat suit já é nosso velho conhecido. Ele era usado, por exemplo, para os episódios de flashback de Friends, para mostrar a época em que a Monica era gorda. Também foi usado pela Gwyneth Paltrow naquele filme horrível em que ela é gorda mas o Jack Black a enxerga magra; naqueles filmes de comédia Vovó Zona, e vários outros.

Então qual é o problema? Simples. Monique deu uma entrevista dizendo que sua personagem, Glória, será uma menina insegura, que não sabe a força que tem, e que se boicota por não se amar. Bem comum entre as gordas, né? E poderia ser uma história linda de uma personagem gorda se descobrindo. Mas se fosse uma história linda de uma personagem gorda, adivinhem? Faria muito mais sentido dar o papel a uma atriz gorda.

Bom, primeiro de tudo, qual atriz gorda? Tem a Mariana Xavier, arrasou na última novela das 9. Tem a Mari e a….bom…tinha aquela…. Ah é. Não tem. Nessa faixa etária, realmente só tem ela.

Esse é o primeiro (e grande) problema. Se não tem papel para gorda, não tem atriz gorda o suficiente. Não existe representatividade. Para cada gorda que recebe uma oportunidade na Globo, umas trinta new faces magras surgiram.

Mas a falta de atrizes gordas na Globo não é o principal problema aqui. Porque mesmo com poucas, eles poderiam ter dado o papel para a Mariana Xavier. Poderiam ter feito testes e lançado uma atriz gorda nova. Não é um empecilho assim tão grande.

Então por que colocar uma atriz usando um fat suit?

Porque ela vai emagrecer.

A única explicação para o fat suit é: em algum momento da trama, eles vão precisar da atriz magra, e não daria pra mandar a atriz gorda perder 40kg do dia pra noite. O que significa que a personagem vai se descobrir forte e usar isso para emagrecer e sambar na cara da sociedade e ter seu final feliz. Magra. Porque gorda não tem final feliz. Porque sinônimo de força e amor próprio é conseguir emagrecer. Antes de emagrecer, não tem como se amar.

Em uma matéria do portal R7 sobre o caso, a nutricionista Paola Altheia vai direto ao ponto: “Os estereótipos promovidos pelo fat suit também são muitos: a mulher gorda é solitária, come quantidades avassaladoras de comida e é dona de uma cativante ‘beleza interior’ que só se revela no momento da trama em que ela emagrece e se torna enfim ‘bela’ (para o arrependimento de todos os homens que não a quiseram).”

É essa a mensagem que tramas como esta passam para as mulheres dia após dia. A atriz gorda não consegue papéis interessantes o suficiente. A personagem gorda ou é alívio cômico, ou vai ser feliz depois de emagrecer. As opções são essas. Não temos a mocinha que era bobinha e fica esperta e toca o terror em todo mundo e vive o grande amor e, ah, por acaso, é gorda. Não temos a vilã chiquérrima com as tiradas sensacionais que quer tomar o galã da mocinha e é gorda. Não temos nem a “pessoa comum” que tem dois filhos e veste um 44 básico. Essas personagens são das magras. Gorda não merece lugar na TV. Nem um pneuzinho merece lugar na TV. A telinha é para as barrigas retas e bundas esculpidas.

E enquanto isso, a mulherada segue insatisfeita, buscando aquele ideal. Te parece mimimi? Dá uma olhadinha no seu facebook, no seu Whatsapp, no seu círculo de amizades. Quantas mulheres você conhece que estão esperando serem magras para serem felizes?

Eu conheço muitos que estão nessa. Eu passei mais de 20 anos da minha vida assim. Não mais. Agora eu vou botar a boca no mundo, e espero que muita gente venha junto.

Representatividade a gente não vê por aqui. Mas se depender do Gorda é a Mãe (e de tantas outras que têm se pronunciado a respeito), em breve veremos. E vamos que vamos. Vem com a gente?

Gabi Lessa

Gabi Lessa

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