QUEM NÃO EMAGRECE É PORQUE NÃO TEM FORÇA DE VONTADE?

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GABI LESSA

 

Dia desses uma amiga fez uma coisa bem legal: ela viu um post que dizia que quem diz que está feliz gorda, na verdade, não consegue fazer dieta e está querendo puxar a amiga que faz dieta pra baixo. (Sim, esse tipo de post existe.) Minha amiga comentou de forma bem sincera, citando a escolha dela (que é por fazer dieta) e dizendo que, mesmo esta não sendo a opção dela, ela conhece pessoas que são gordas, felizes e saudáveis. E marcou o Gorda é a Mãe como exemplo.

Eu fiquei revoltada com o post, mas orgulhosa do comentário da amiga. É um pessoa que se sente melhor fazendo dieta, mas apóia a minha escolha. Ela entendeu perfeitamente o raciocínio de que não é guerra.

Mas aparentemente pouca gente entende. Então deixa eu tentar explicar. Eu não sou fiscal da dieta alheia. Eu não quero o mundo inteiro gordo. Eu não defendo o fast food nem nada do tipo. E eu definitivamente não sou contra mudanças. Você acha que vai ser melhor para você emagrecer? Você tem vontade de colocar silicone? Você decidiu fazer uma abdominoplastia? Você parou com dietas e ganhou alguns quilos mas está mais feliz assim? Você resolveu assumir os cabelos brancos? Ótimo! Todas são atitudes válidas. Nenhuma te torna superior ou inferior a ninguém.

Eu tenho muita força de vontade, e me sinto hoje em um desafio muito maior do que qualquer dieta que eu já fiz: resetar a minha mente e achar um equilíbrio. Ser saudável sem ser obcecada; viver sem culpa sem ser inconsequente; respeitar o meu corpo sem cobrar dele a mais nem a menos. Ainda não encontrei completamente este equilíbrio. Estou no caminho, mas é difícil.

Duas fases de depressão, se manifestando de formas diferentes. Nenhuma das duas é mais saudável.

Mas sabem o que não é difícil? Me amar sem desprezar os outros. Isso, na verdade, eu acho fácil. Porque eu sempre fui assim. Meu sonho era ter filhos cedo, sempre tive esse plano, e me sinto completamente realizada com a maternidade. Não conseguiria ser feliz sem ser mãe. Mas consigo entender e apoiar completamente mulheres que não querem ter filhos. Eu sou aquela feminista para quem muitos torcem o nariz: a feminazi que depila, faz sobrancelha, adora maquiagem e usa roupas românticas. Por que? Porque eu quero. Porque eu não tenho que seguir um padrão e nem tentar colocar as outras pessoas em caixinhas. Porque eu sei que escolhas diferentes das minhas não são uma afronta às minhas escolhas. É uma coisinha legal, da qual tem se falado muito ultimamente, que se chama EMPATIA.

Eu te respeito se você é magra. Te respeito se você é gorda. Te respeito se você quer fazer dieta. Te respeito se você odeia atividade física. Eu simplesmente quero que as pessoas sejam felizes. Quero que as pessoas se amem e tomem atitudes condizentes com esse carinho que sentem por si mesmas, e não que façam sacrifícios na crença de que vão se amar depois.

Como perceber a diferença? Confesso que até pra mim é difícil. Como eu disse, ainda não encontrei inteiramente o equilíbrio pós transtornos alimentares. Identificar o que é saudável e o que é me comparar aos outros nem sempre é simples. A batalha contra a compulsão alimentar é longa, e muitas vezes se confunde com dieta. Outras vezes, me bate uma culpa que eu não sei se é por não estar sendo saudável ou por um resquício de raciocínio de dieta restritiva. Confesso: é difícil pra caramba saber se eu não estou me cobrando a mais, ou se não estou relaxando com a minha saúde. Sou muito a favor do equilíbrio, mas ô trem danado de difícil de encontrar!

E se até em mim mesma é difícil identificar determinados padrões, imagina nos outros?

Pois é. Por isso eu não julgo. A jornada de ninguém é igual à minha. Eu não pretendo substituir um padrão com outro. Por isso, não vou julgar amigas que emagreceram, por exemplo. Assim como engordar não é sinônimo de uma vida desregrada, emagrecer também não é sinônimo de uma obsessão com padrões. Não dá pra olhar o número na balança e, a partir dali, definir tudo que uma pessoa é. Existem os extremos, claro. Se aquela amiga que comia por ansiedade fez um tratamento com especialistas e emagreceu, parece bem óbvio que ela melhorou. Se aquela amiga que parecia que ia quebrar ao meio começou a terapia e ganhou uns quilinhos, parece bem óbvio o que ela precisava. Mas nem todo mundo tem um distúrbio evidente. A maioria das pessoas ganha uns quilos ali, perde aqui, e por aí vai. Às vezes a pessoa andava comendo muito fora de casa, ou por ansiedade, ou estava sem se exercitar. E a partir do momento em que fez adaptações saudáveis, emagreceu. Às vezes ela era mais magra porque estava em uma dieta restritiva irreal, e a partir do momento em que voltou a uma alimentação normal, engordou. Ou o contrário. Às vezes era saudável antes e emagreceu porque entrou em alguma moda maluca desnecessária. Às vezes era saudável antes e engordou porque está em uma crise de ansiedade. Ou, às vezes, é tão saudável hoje como era há seis meses, e alguns quilos a mais ou a menos fazem parte da vida e pronto.

É impossível identificar de cara a jornada de cada um, e injusto generalizar sem conhecer a jornada. Por isso o blog. Por isso essa decisão de me mostrar. Porque pode alcançar alguém que eu não alcançaria. Pode ajudar. Ou pode simplesmente incomodar quem julga. Duvido que essas pessoas se proponham a ler um texto inteiro que vai contra suas crenças, mas quem sabe né?

Então, me resta reiterar: não é uma guerra. Se você é magra, ou se você quer emagrecer, saiba que você é bem vinda aqui. Não vamos fazer posts generalizando quem é fit. Quem sabe um dia possamos também receber tal gesto de empatia, né?

Gabi Lessa

Gabi Lessa

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