É A MINHA OPINIÃO

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BÁRBARA MYSSIOR

 

Vamos falar de um assunto que já passou e muito da hora de ser endereçado? Sei que vivemos em uma democracia, em um país, em teoria, livre, que temos direito de expressão mas… se tem uma coisa que me irrita profundamente é o uso indiscriminado e discriminatório do “É minha opinião”.

Quanta baboseira, groselha, merda mesmo, somos obrigados a ler/ouvir apenas porque a pessoa acha que tem direito à sua opinião? Quantos ataques homofóbicos, machistas, racistas,  gordofóbicos temos que aguentar porque a criatura se acha do direito de vomitar sua opinião sobre as pessoas? Até quando, MEO DEOS, até quando os indivíduos vão continuar achando que a liberdade de opinião é soberana aos direitos humanos? JISUIS! Tá difícil viver nesse mundo.

Amiguinho, deixa eu te explicar umas coisinhas por A mais B e se você não entender vou estudar a possibilidade de desenhar: se a sua opinião constitui crime ou discriminação, ela não pode, não deve, de jeito nenhum ser proferida. “Ah, Bárbara, mas vou ser obrigado a aceitar e concordar com essas coisas? Ah não!” Sim, meu amorzinho, vai. “E não vou poder continuar tendo minha opinião?” Então. Dever não deveria. Mas poder, infelizmente, como bom senso ainda não vende em farmácia, vai poder continuar com essa sua opinião de merda, desde que não a despeje sobre outras pessoas, ok?

Bom, deixa eu ser um pouquinho mais gráfica para me fazer entender, né? Afinal, um dos alicerces da boa pedagogia é o uso de exemplos. Sabe o amiguinho negro? Pois é. Se você se surpreende por ele ter o mesmo salário que você ou maior, se você acha que os traços dele são menos atraentes que o seu, e que deveria alisar o cabelo e cortá-lo bem curtinho porque “essa juba” é anti higiênica, meu amor, você é racista. Se você acha a mesma coisa dos judeus, com o agravante de serem pão-duros, que só pensam em dinheiro, ambiciosos e sem ética que mataram Jesus… Novidade: você é antissemita. As mulheres? Ah! Devem receber salários menores porque ficam grávidas, terem postos de trabalho de menos destaque porque se ausentam muito por causa de filho, são fúteis, dirigem mal, não têm a mesma destreza nos esportes e nas ciências exatas que os homens, são sensíveis demais para a dureza do cotidiano, e têm mais que ficar em casa cuidando das louças e das crianças porque “é mulher que faz o casamento dar certo”… News flash: você é machista.

Acho que pelo menos nesses três estamos de acordo, né? Pelo menos eu espero que sim, já que são lutas mais divulgadas e nas quais a sociedade já avançou um pouquinho. Pouquinho tipo o mínimo suficiente para não ser preso. Pois é. Que pena que essa evolução mínima seja tão mínima, e seja só nesses três.

Para meu horror, a diarreia verbal discriminatória parece não conhecer limites. Todo santo dia me deparo com a discriminação travestida da expressão “é a minha opinião”. E me dá uma tristeza tão profunda de saber que a pessoa não enxerga mesmo que essa opinião não é opinião, é crime. Ainda que não esteja no código penal é crime. É um crime contra a liberdade individual, contra os direitos humanos! É preconceito!

Vamos começar então?

A pessoa se sente no direito de escrever um roteiro de uma peça teatral ou de um quadro de humor para a televisão onde o gordo é massacrado. Mandam a personagem gorda parar de comer, dizem que esse movimento de empoderamento é um desserviço à saúde e mandam o gordo fazer exercício chamando ele de preguiçoso. A personagem gorda nunca tem um interesse amoroso correspondido, nunca é a mocinha, princesa, heroína. Mesmo quando é vilã nunca é uma boa personagem, inteligente e com boas falas, é sempre a idiota, a recalcada, a invejosa. Aquela que tem um rosto lindo, mas que só precisa emagrecer. É sempre a amiga da mocinha, a que só se ferra, que tem compulsão por doces e não consegue se vestir sem parecer um desastre de carro. Pois é… mas aqui bem, é só minha opinião, tá? É só o que eu vejo com minha experiência de vida, ok?

Hummmmmm, sei.

E a pessoa gay? Trans? Lésbica? LGBTQ? Ahhhhhhh, pra essa faltou porrada. Faltou uma criação forte pra acabar com essa viadice. Faltou um macho de verdade pra mostrar o que é bom. Esse lance de ensinar ideologia de gênero é algo implantado pela esquerda nas escolas a fim de destruir a estrutura familiar. Agora eu, que tenho filhos homens, sou obrigada a ensinar a eles que não existe homem e mulher? Que tudo é neutro? É pracabá! E essa moda agora de família gay? Vai lá, adota uma criança perfeitamente normal e ensina ela a ser gay. Desculpa, tá? Mas fui criada sabendo o que é certo e o que é errado e essa “configuração familiar”, bem entre aspas mesmo é inaceitável. Família é homem com mulher, como Deus quis e criou

E se você não acredita em mim pode olhar na Bíblia. Mãe é Mãe. Pai é Pai! Mas você não pode me criticar por ter a minha opinião, né? Tenho que ficar caladinha Agora? E minha liberdade de expressão?

Ahhhhhhhhhhhhh!

E depois não entendemos como a extrema direita está tomando conta da Europa. Não entendemos porque o Trump ganhou as eleições nos Estados Unidos. Não conseguimos acreditar no porquê de termos um cenário político nas vésperas das eleições presidenciais que se divide entre várias faces intolerantes de uma mesma moeda. É porque meus amores vocês estão certos, as pessoas têm direito às suas opiniões… E as opiniões extremas levam à intolerância.

Mas deixa eu tentar ser mais clara ainda? Só pelo amor ao debate?

Caríssimos. Opinião é achar que o vermelho é mais bonito que o amarelo. Que bolo de fubá é mais gostoso que pão de queijo. É gostar mais de comédia que de filme de super-herói. É opinar sobre os melhores meios de se estruturar uma base educacional inclusiva e ampla. É defender a preservação das áreas de preservação permanente contra o avanço da imensa massa de lixo que produzimos diariamente… É pesar se a necessidade do país está no liberalismo econômico ou na ampliação da assistência social. É ser a favor ou contra greve. É apoiar, ou não, a política de imigração. A nova lei trabalhista. A ampliação e manutenção do sistema único de saúde. Entre tantas outras questões em que opiniões (com embasamento mínimo) são bem vindas e enriquecem o debate.

Agora, brancos ou negros, gordos ou magros, cristãos ou judeus, homens ou mulheres, isso é com você. Mas só com você. Dentro de você. Porque sim, você pode ter sua opinião, mas, enquanto você não evoluir um pouquinho pra entender que somos todos iguais e que você não tem nada a ver com isso, ela não é uma opinião sua: ela é um problema seu.

Bárbara Myssior

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