FELIZ DIA DESSE MAR DE CONTRADIÇÕES QUE É UMA MÃE

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GABI LESSA

 

Pode ser data comercial, pode ser o que for. Dia das Mães é um trem que me comove.

Quando eu era criança era farra. Pular em cima da minha mãe, preparar café pra ela, casa de uma avó e de outra. Tudo bagunça. No que eu fui crescendo, me restou só a avó paterna, e ela foi ficando velhinha, o negócio começou a bater mais fundo. Já escrevo chorando. Porque era a data de pensar naquela mãezona que ela era, a que tinha criado nove filhos na roça com marido caminhoneiro rodando o país, a que aos oitenta anos ainda era teimosa e não aceitava ninguém cuidando dela (mas jurava de pé junto que quando eu passava a pomada nas feridas sarava mais do que se a enfermeira passasse). E de pensar na minha mãezona, que planejou tudo certinho (lembra alguém?), engravidou aos 23 anos porque quis, e vive grudada comigo desde então, pau pra toda obra. E de pensar em um amor que eu não sabia o que era. Uma coisa bem louca mesmo, esse tal amor de mãe.

Nessas coincidências da vida, Deus quis que o último dia das mães da minha avó fosse também o último sem que eu fosse mãe.

Nosso último dia das mães juntas

Olha, foi um turbilhão. 2014, último dia das mães com a minha avó. 2015, dia das mães já de repouso, com a minha mãe do meu lado, a dez dias do nascimento dos pequenos (que nasceram no dia de Santa Rita, de quem minha avó era devota). 2016, primeiro dia das mães com meus amores nos meus braços. 2017, primeiro dia das mães tentando me reencontrar. 2018, primeiro dia das mães depois desse filho que é o Gorda é a Mãe.

“Ah, você está exagerando! Que virada nada a ver nesse texto.”

Nada a ver mesmo, né? Mas é o meu sentimento. É interessante isso. Essa semana, eu e Bárbara fomos convidadas para um bate-papo sobre maternidade real em um evento corporativo de dia das mães. E eu confesso que eu fiquei naquela dúvida que eu acho que muita gente que vê esse blog tem: mas é um blog de maternidade? De gorda? De moda? Feminista? Vamos falar sobre o que?

Parece tanto assunto diferente, né? Mas no que a gente foi conversando com as pessoas sensacionais e de mente aberta lá no Studio Sol, foi ficando bem claro que é uma coisa só. A maternidade é o começo de tudo. De uma necessidade diferente do feminismo, que parece se ampliar depois que você tem filhos. De uma necessidade maior de quebrar padrões estéticos, que de repente parecem te afetar mais. De um olhar que te mostra que está tudo interligado: você que ser a melhor mãe do mundo mas você quer ser indivíduo e você sente culpa por isso porque a sociedade machista diz que mãe tem que abrir mão de tudo, mas você não quer que pareça que você está reclamando porque seu marido é um paizão mas, porra, você tem que reclamar porque é muito injusto esse machismo e você se sente realizada como mãe mas se sente gorda, feia e inútil e ninguém cobra do homem que ele engordou depois da maternidade e putz, que coisa, a tal da gordofobia existe mesmo e ela junta com o machismo e MEU DEUS AS PESSOAS VÃO ACHAR QUE A GENTE É LOUCA COM TEORIA DA CONSPIRAÇÃO (aliás, a gente já sabe que a gente é louca há tempos), mas não dá pra ignorar a realidade e é muita realidade pra mudar e a gente precisa de um mundo melhor pros nossos filhos e pra gente também, mas ai, e o tempo com as crianças que está só reduzindo, mas não, vamos ser mães melhores se sentirmos que estamos fazendo alguma coisa pela sociedade, e o que que moda tem a ver com tudo isso, ah, mas tem, muito mais do que a gente imagina, porque recuperar uma certa vaidade vai levantando a autoestima que todo mundo quer derrubar e moda tem tudo a ver com gordofobia que tem tudo a ver com machismo que tem tudo a ver com maternidade e…

Ficou confuso? Pois é. Maternidade é isso aí mesmo. É confuso e bagunçado, é um amor maior que a vida e uma necessidade de viver, é querer mudar o mundo de repente. Não é linear, não é algo que cabe em uma caixinha. Ser mãe é ganhar uma visão que contempla tudo, olhos nas costas, sei lá.

E é isso que esse blog é. Mais um filho nosso, com quem nós vamos errar e acertar, e a quem nós vamos dedicar nossa mais insana e verdadeira personalidade.

E isso tudo foi pra dizer: FELIZ DIA DAS MÃES. A Você que fica em casa com as crias e ama mas se pergunta às vezes se você se perdeu no caminho. A você que trabalha 12h por dia e morre de culpa mas sabe que é o que funciona pra sua família. Pra você que tem filhos, malha, se veste bem, e achou o seu caminho. A você que está procurando um equilíbrio mas se enterrou debaixo da maternidade. A você que se acha gorda, feia e acabada. A você que sente culpa por pensar em você. A você que sai com as amigas e viaja numa boa. A você que teve filho nova. A você que se acha velha demais pra isso. A você que perdeu filhos. A você que, como eu e Bárbara, encontrou um grupo onde as mães se apoiam. A você que conheceu o significado da palavra sororidade com a maternidade. A você que é julgada por outras mães. A você. Mãe. Que sabe que o negócio é confuso e uma coisa se amarra na outra. Que sabe que não é simples e magnânimo como eu achava que era quando olhava para as minhas avós e pra minha mãe. A você que conhece todas as contradições da maternidade: feliz dia. Celebre-se. Você é boa o suficiente. Você é sensacional. Você merece.

Gabi Lessa

Gabi Lessa

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O Gorda é a mãe é um blog sobre autoestima, positividade corporal, feminismo, maternidade e mais um bocado de coisa interessante. Vem com a gente!

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